A psicologia dos vulcões

Vulcões são insensíveis às veleidades humanas, ridículas. Quem liga se uma cidade inteira vai queimar e ser acobertada por uma saraiva de cinzas? E os moradores que vão perder suas casas ou vidas ou filhos, amantes, penteadeiras, as noites bem dormidas? E os cãezinhos? Vulcões têm outra ética, outra substância, ignoram o que há ao redor. No mundo, digo, nesse mundo, não há inocência. E quem disse que ser enterrado em magma, saliva da Terra, pó derretido, quem disse que isso faz mal aos cãezinhos? E nós dormimos, dormimos por anos. Um trabalho que não é fácil, quando seguramos o firmamento por um lado – não é só o Atlas – e a torrente de lava por outro até que fique insuportável, até não cabermos em nós mesmos e transbordamos docilmente em orgasmos. E há quem pense em nós? Somos muito úteis, poucos reconhecem.

Lagos de Rotorua, na Nova Zelândia: cada um de uma cor.

Lagos de Rotorua, na Nova Zelândia: cores bizarras.

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