Elogio ao ócio e à pescaria

No Sri Lanka, estou entregue à auto-indulgência. Perdão pelos dias sem fazer nada, pelo estouro no orçamento, pela preguiça, pela gula, pelo livro não lido, pelo post perdido, pela cidade não visitada. Perdão aos homens de preto por não ter feito a minha parte e, mesmo que não o receba, não me importo. A clemência, aqui e agora, vem automática, porque tem praia e água de coco por perto. Eu me perdoo.

É nessa que me dei ao direito de experimentar a inércia extrema. Ir até a praia e voltar para comer, dormir, balançar pro céu em uma rede.

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Pirataria à moda portuguesa

Tempo de leitura: aproximadamente 9 minutos.

Voltimeia esbarro num local por onde passaram grandes nomes da navegação portuguesa. Esse povo aventureiro, melancólico, de bigodes e ambições ímpares (exageros meus) nasceu de costas pra Europa e saiu por aí, flutuando em superfícies crespas, fartas e imprevisíveis, para encontrar o pote de ouro. Nada de novo na história do mundo. Os gregos fizeram o mesmo, os persas, os polinésios, os chineses, os árabes, os otomanos. Talvez a diferença esteja no fato de que os gregos e portugueses conseguiram fazer do mar poesia.

Não. Isso também não é nenhuma particularidade deles. Na história do mundo, nada parece novo, nada saído do zero. O importante é que nesse momento, espíritos lusitanos sobrevoam o Mar Vermelho desdenhando dos piratas somalianos: “quero ver é fazer isso aí com uma caravela de madeira rota, bróder“. Ao que os somalianos respondem: “a gente não acredita em espíritos”. E fica por isso.

Patrulha norte-americana no Mar Vermelho, na costa do Djibouti (ex-Somália Francesa)

Patrulha norte-americana no Mar Vermelho, na costa do Djibouti (ex-Somália Francesa)

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